Eu perdoo, mas não esqueço

Perdão implica esquecimento da ofensa recebida? Se não esquecemos é porque não perdoamos? A questão do perdoar é, talvez, um dos temas mais desafiadores da Bíblia, pois em nossos relacionamentos o perdão é muitas vezes condicional. “Eu perdoo, mas estou de olho em você!”, ou ainda: “Eu perdoo, mas esta é a última vez…”. Você já foi confrontado com esta questão? Na sua vida, em seu casamento, já foi necessário exercitar o perdão? Você já precisou pedir perdão? Ou já precisou liberar perdão? Com certeza este é um tema que se pode aplicar à vida conjugal. Mais uma vez eu lhe pergunto: você pode experimentar o perdão? Você deve perdoar?

O perdão é um dos temas mais desafiadores para se viver na fé cristã. No Antigo Testamento tentou-se através de lei, holocaustos e sacrifícios, se “acertar” com Deus. Encontramos em Isaías 6 uma expressão muito forte, quando ele tem uma visão de Deus e diz para si mesmo: “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de impuros lábios”. Acreditava-se que se alguém visse a Deus morreria, por ser pecador. Ao contrário, Deus mudou a vida de Isaías e ainda o chamou para uma grande parceria: “Quem irá por nós?” Isaías respondeu: “Eis-me aqui, envia-me!”. O propósito de Deus é sempre restaurar o ser humano e resgatar a dignidade perdida no paraíso com o pecado, que separou o ser humano da comunhão com Deus.

Quero dividir com você uma das histórias marcantes a respeito da experiência do perdão na vida de um homem: é a história do rei Davi. São duas narrativas de perdão, e a primeira está em Salmos 51.3-4,9,11. Nesse salmo Davi está reconhecendo o seu pecado, o adultério com Bate-Seba, e enquanto não confessou seu pecado, ele sofreu com isso. O salmista diz que o seu pecado estava diante dele o tempo todo! Até o momento em que ele confessa e tem sua vida transformada por Deus. A segunda está em Salmo 32.4-8, uma oração de confissão que tem como título a expressão “feliz é aquele que recebe o perdão”. O Salmo 32 fala sobre uma linda oração que é marcada pela confissão de pecado, o reconhecimento do sofrimento enquanto não se confessa o pecado, a certeza de que o pecado representa a distância de Deus. Ele pede a Deus: “Não tires de mim o teu Santo Espírito!”. É impossível vivermos sem o Espírito Santo de Deus. Você consegue imaginar sua casa, seu casamento, sua família sem a presença do Espírito Santo?

Finalmente no ministério de Jesus encontramos o momento em que levam até Ele uma mulher adúltera e pedem que ela seja apedrejada. Jesus apela para a consciência de cada um deles: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra nela.” O resultado: todos vão embora. O único que poderia apedrejar aquela mulher não faz uso de pedras, mas lhe dá a oportunidade de iniciar uma nova vida! “Agora vá, e abandone sua vida de pecado.” Depois disso ela decidiu seguir a Jesus!

Tenho ministrado sempre que “perdão não é amnésia espiritual”; nós perdoamos e não esquecemos mesmo. O perdão pode ser comparado a uma cirurgia que é realizada para curar um mal. Depois de feita fica a cicatriz. Você poderá até se lembrar das dores, mas o mal foi retirado. Também podemos compará-lo à gravidez. Imagine que após 9 meses uma cesárea aconteça, a criança nasça, e a mulher fique com uma cicatriz. Ela não está mais grávida. A criança nasceu! Então, o que precisamos para que esta ação terapêutica e curativa de Deus aja em nossa vida?

1) A necessidade de reconhecer e se arrepender do pecado. O que está prejudicando o relacionamento conjugal? Não é possível acontecer nada antes de reconhecer aquilo que está roubando a alegria do convívio conjugal ou familiar. É uma questão de atitude. Pense nas palavras duras, na falta de carinho, na falta de atenção para com sua família, com sua esposa ou seu marido. Quantas vezes seu trabalho é mais importante? Ganhar, sobreviver? Será que isso é verdade mesmo? Ou é uma desculpa para não viver a “vida comum” do lar? Você é capaz de, por um momento, parar de culpar seu cônjuge e reconhecer suas falhas?

2) A necessidade de confessar o pecado. Tomar uma atitude, mudar de vida. O segundo passo depois de se arrepender é confessar. Talvez seja um estágio difícil, até porque não pode se tornar “crônico”, como uma criança que, para não “apanhar” ao ser pega em traquinagem, já pede perdão, mas dois minutos depois está fazendo de novo. Confessar significa disposição de mudar o rumo, corrigir a caminhada, mas é preciso haver mudança de vida…

3) A necessidade de liberar o perdão. Agora sim! Você precisa perdoar quem o/a ofendeu! O apóstolo Pedro questionou Jesus: “Quantas vezes deverei perdoar a meu irmão?”. Quantas vezes fazemos esta mesma pergunta? Você precisa, em primeiro lugar, sentir-se perdoado/a por Deus e, em segundo lugar, perdoar seu cônjuge, filhos, pais… encontrar o equilíbrio para a cura do relacionamento. Deve haver sinceridade para que haja cura.

4) A necessidade de usufruir do perdão de Deus. Encontramos na Palavra de Deus, na oração do Pai Nosso, que você deve pedir perdão baseado no desafio de perdoar o outro: “Assim, como tenho perdoado ao meu irmão…”, e em Colossenses 3.13: “Perdoem como o Senhor lhes perdoou.”

Preste atenção: a lógica do reino de Deus é diferente do mundo em que vivemos. Eu não perdôo porque sou bonzinho ou boazinha, mas perdoo porque Jesus me perdoou primeiro. Ele me atraiu com seu amor e perdão, deu-me a oportunidade de ser uma nova criatura. Hoje faço um convite especial para você: entregue sua vida nas mãos perdoadoras de Jesus. Por que não começar uma nova experiência em sua vida? Lembre-se do que está escrito em II Coríntios 5.17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” Você pode experimentar a bênção do perdão libertador de Jesus em sua vida! Comece algo novo, olhe com uma nova disposição e dê atenção para as pessoas que você ama! Reconheça suas falhas e seus pecados. E pare de achar que o mundo inteiro está errado e só você está certo/a. Descubra o poder curador que está na terapia do perdão. Creia que pode haver restauração para sua família, para o seu lar, para sua casa… Usufrua o que Deus tem de melhor para você! Jesus está pronto para perdoar, e você?

Fonte: Padom.

Flávia Aleixo.

Published in: on setembro 13, 2012 at 07:56  Deixe um comentário  

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