Perdoar é esquecer?

Não é sinal de sanidade física nem psicológica, nem tampouco é correto ou prudente que tal coisa aconteça.

Nós nos acostumamos com chavões morais e religiosos, clichês desgastados pelo uso e nem sempre paramos para refletir sobre afirmações tão populares como esta: “Quem perdoa esquece”!

Aprecio quando o apóstolo Paulo em sua peculiar franqueza, afirma ao recordar seu passado: “A mim, que noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade” (I Epístola de Paulo a Timóteo, capítulo 1 verso 13).

Diferentemente, Pedro parece ter “esquecido totalmente” aqueles trágicos e vergonhosos acontecimentos que o envolveram…

Postulo considerarmos que: o ato de perdoarmos aqueles que nos causam danos, não significa esquecimento das ofensas e transgressões. Tenho uma pregação acerca da Ressurreição de Jesus, na qual explico o “porque” das marcas no Corpo Ressurreto e Glorificado. “Que feridas são essas em tuas mãos? São as feridas com que fui ferido na casa de meus amigos” (Zacarias capítulo 13, verso 6)

Que bela lição!

Ele não olha para as feridas que lhe causamos, com desgosto, amargura ou raiva: Mas Ele nos ensina a reconstruir nossa história ao fazer uma leitura nova dela, inserindo-a em outro contexto!

Precisamos lembrar gente! Não se sintam mal ao se lembrarem daqueles que lhes causaram males! É sinal de saúde, é demonstração de prudência!  Pensar diferente disso é pieguice inútil e perigosa! Mas, não fiquem remoendo, não guardem o ressentimento! Não fiquem se alimentando de mágoas, olhando aquele velho álbum de fotos amareladas e cheias de mofo, lamentando as “desgraças” do passado.

Dê a volta por cima!

O grande filósofo Schopenhauer, nos fornece dados interessantes (estão vendo como filosofia não faz mal a quem sabe fazer bom uso dela? Radicalismo religioso faz mal com certeza), pois bem; o pensador nos diz que:  “Esquecer”, ofensas e coisas desagradáveis, significa jogar pela janela, experiências preciosas, importantes e que nos custaram caro demais! “Esquecer”, é se expor a novos riscos, tais como alguns bem comuns, que são justamente sermos feridos repetidas vezes por gente a quem demos uma segunda ou terceira (ou sabe-se lá quantas) chances!

É quase certo – diz o filósofo – que em situação análoga, o tal que “aprontou uma vez”, vá repetir a dose, e com mais facilidade se perceber que é imprescindível para você.

Está entendendo?

Ele fala como filósofo de modo “nu e cru”, da realidade cruel de homens não regenerados de verdade (e sabemos pela história e experiência que isso é raro mesmo), quando passam por alguma maquiagem emocional, vivenciam algum estado de alteração psíquica, experienciam alguma mudança puramente circunstancial, juram que não repetirão, a gente confia, e ei-los a nos decepcionarem mais vezes!

“O caráter é absolutamente incorrigível, e as ações humanas brotam de um principio íntimo, em virtude do qual, o homem, em circunstâncias iguais, tende sempre a fazer o mesmo e não é diferente”.

Creio, que “Nascer de Novo” pode ser um fato: mas milhares só trocam a roupa da religião e não o coração! E é aqui que todo cuidado é pouco… Vejam que estamos confrontados com modos distintos de ver a realidade: podemos afirmar nossa convicção em mudanças efetuadas por algum poder sobrenatural (Deus) ou alguma disposição metafísica do próprio homem (vontade e propósito firme) que mude radicalmente seus processos internos, percepções e atitudes, mas, na maioria das vezes o que temos visto são milhões em ambientes religiosos jurando mudanças e falando de transformações, quando tudo não passa de um “controle momentâneo” (podendo durar muito tempo, mas voltando a eclodir algum dia) operado por imposições coercitivas externas que um dia acabam perdendo para as “pulsões” jamais completamente mortas.

Daí o conselho é: “Se a tal pessoa que vive a te ferir e causar prejuízos é tão importante e valiosa que mereça essa permissão de sua parte para que repita diversas vezes as mesmas coisas que te causam males, vá em frente. Mas, consciente que a tendência é de que tudo se repita, e podendo ir se agravando até chegar ao ponto de uma ruptura inevitável com prejuízos bem maiores”!
Caso pense de modo contrário – e não vou pedir perdão aqui pelo meu realismo – ponha um fim no negócio, e mesmo com dores recomece alguma outra coisa. Ou, no mínimo siga, mas sem esquecer a possibilidade de que aconteça uma nova decepção, e se não acontecer dê graça a Deus por isso! Sabe aquela frase, “ame o seu vizinho, mas não derrube a cerca que separa os quintais”?

Acho que já deu prá entender…

É mais ou menos isso.

Fonte: Darckson Lira.

Esta semana coloquei um dos meus “Momento desabafo” no Facebook e escrevi: “Perdoar é o segredo para avançar. São as nossas atitudes e escolhas que geram a perda da glória de Deus. Eu escolhi PERDOAR! 70 X 7 = Fórmula do perdão! “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus”. Mateus 5:48. O Cristianismo é VIDA! Obrigada, Senhor!”

E obtive como resposta: “Tem toda razão.. e tenho visto relacionamentos entrando em colapso, não só casais mas pais x filhos, por falta de perdão… Perdoar é difícil porque significa esquecer, deletar da mente as bobagens que fizeram com você. Se você diz que perdoar não significa esquecer o problema você está admitindo que não perdoou… apenas jogou a sujeira para debaixo do tapete…”

Faço das palavras do pastor Darckson Lira as minhas! Perdoar, definitivamente, é avançar, mas não esquecer. Se te magoaram ou fizeram alguma coisa de ruim com você, tire as boas lições disso. Dê um outro sentido à sua vida! As marcas das mãos de Jesus Cristo, por exemplo, não desapareceram porque Ele morreu por nós ou ressuscitou, mas elas permaneceram e têm um significado imensurável para o Universo. É olhando para os nossos erros e erros dos outros que aprendemos. É impossível perdoar sem olhar para trás… De tudo tira-se uma lição.

Flávia Aleixo.

Published in: on fevereiro 3, 2012 at 10:34  Comments (2)  

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Muito legal o texto!!

    • O Pastor Darckson Lira é muito bom. SUPER INTELIGENTE. Admiro-o! Obrigada, Carol. Deus te abençoe!


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