O cristão e o suicídio…

Escrever sobre o suicídio é uma tarefa muito difícil, pois não há motivos que justifiquem este ato bárbaro. Por quê? Por quê? Perguntamos. E não encontramos muitas respostas. O suicídio é uma separação extremamente repentina. Nenhuma teoria seria capaz de explicar suficientemente e desvendar os motivos que levam uma pessoa a se matar, a tirar a própria vida. Para alguns filósofos existencialistas contemporâneos, o suicídio é o maior problema filosófico.

Obviamente, é impossível falar em suicídio sem falar em morte, os dois estão  intimamente ligados. Impossível é também refletir sobre a vida sem deixar de pensar na morte. Em muitas culturas, a morte é encarada como uma fase natural da vida, pois trata-se de algo necessário para o equilíbrio da sobrevivência do grupo, sendo considerada um elemento intrínseco à natureza.

Há civilizações em que a pessoa, ao ficar doente, se mata. Faz isso simplesmente porque não pode mais produzir, ou seja, ser útil à sua comunidade. Nas primitivas sociedades tribais, a morte era encarada como parte integrante do viver diário. Isto é, as pessoas lidavam com a morte sem bani-la, com naturalidade. Para elas, a morte era um ato continuo da vida.

A morte por suicídio em diferentes versões e épocas

Em algumas sociedades orientais e tribais, o suicídio tem valor positivo, sendo, por vezes, encorajado. Lá, isso é visto por muitos como um ato honroso, uma demonstração de fidelidade, disciplina e boa índole. Já na sociedade ocidental, o suicídio é um tema proibido, por tratar-se de completa negação da dor, do sofrimento e da morte “natural”. No geral, ele não deve ser praticado, falado e, muito menos pensado. Suas tentativas frustradas são motivo de vergonha, embaraço e culpa, e os laudos policiais, não poucas vezes, são distorcidos a fim de abafar as verdadeiras ocorrências.

O sociólogo francês Émilie Durkhein produziu um estudo sobre o suicídio, classificando-o em três categorias sociais: o suicídio egoísta, o altruísta e o anômico. Mais tarde, ele acrescentou à sua tese o suicídio fatalista.

O suicídio egoísta. Seria o resultado de um individualismo excessivo, ou seja, a falta de interesse do indivíduo pela comunidade.

O suicídio altruísta ou heróico. A pessoa é levada a cometer o suicídio por um excessivo altruísmo e sentimento de dever, muito comum nas sociedades primitivas e orientais.

O suicídio anômico. Em grego, o termo significa “ sem lei”, mostrando a desorientação e o choque produzidos na vida de uma pessoa por uma mudança brusca qualquer.

O suicídio fatalista. Por sua vez, seria aquele decorrente do excesso de regulamentação de sociedade sobre o indivíduo cujas “ paixões” são reprimidas, de forma violenta, por uma disciplina opressiva.

De modo geral, existem pessoas que, quando doentes, optam pela morte, recusando-se a viver. Muitas pessoas que sofreram rejeição na infância  perdem, quando adultas, o interesse pela vida. E há também o fato da inapetência infantil, decorrente desse mesmo abandono. E o que dizer daquelas que, por falta de perdão, guardam tamanha mágoa em seu interior que toma conta de todo o seu ser, daí entregam-se ao suicídio gradual, isto é, morrem lentamente. Vemos pessoas tão exageradas na busca do prazer que, na verdade, estão atraindo sobre si a morte. O suicídio, representa o grito da alma, uma denúncia. Tal denúncia pode ser individual ou coletiva.

Foi no século VI d.C. que a igreja decidiu tomar uma posição a respeito do suicídio, estabelecendo leis contra essa prática. E, para tanto, contou apenas com o registro bíblico do sexto mandamento, “não matarás” (Êxodo 20:13), para sustentar seus argumentos. Através de Agostinho, os bispos foram incitados a entrar em ação. Todavia, fizeram isso mais por questão moral do que por outra coisa. E utilizaram os argumentos de Platão e Pitágoras, que afirmam que a vida é uma dadiva de Deus e que os nossos sofrimentos, sendo divinamente ordenados, não podem ser abreviados por nossas próprias ações. Ao contrário, suportá-los pacientemente é uma medida de grandeza da alma de cada indivíduo.

O suicídio na Bílblia

No Antigo Testamento, temos apenas quatro casos de suicídio. A saber: o rei Saul, ao ser derrotado na batalha, temendo ser ridicularizado e torturado por seus inimigos, jogou-se contra a ponta de sua própria espada, e seu escudeiro, vendo isso, seguiu o exemplo de seu senhor, morrendo ao seu lado (I Samuel 31:4–6).

Aitofel enforcou-se em casa. Vejamos o motivo: “Vendo, pois Aitofel que se não tinha seguido o seu conselho, albardou o jumento, e levantou-se, e foi para sua casa e para a sua cidade, e deu ordem à sua casa, e se enforcou e morreu, e foi sepultado na sepultura de seu pai” (II Samuel 17:23). O quarto caso foi o de Sansão, que causou a sua própria morte ao provocar um colapso no templo onde os terríveis inimigos do povo de Deus, os Filisteus, estavam realizando uma grande comemoração pagã. Na ocasião três mil pessoas morreram. (Juízes 16:30).

No Novo Testamento, temos apenas o caso de Judas Iscariotes, o traidor, que se enforcou depois de haver jogado as trinta moedas de prata sobre o pavimento do templo diante do sumo sacerdote e dos anciões (Mateus 27:3–5). Um dos textos bíblicos que nos chama a atenção sobre essa atitude de Judas foi registrado por Lucas quando menciona que alguns dias antes de suicidar-se Satanás entrara em Judas: “Entrou, porém, Satanás em Judas…” (Lucas 22:3). O que nos leva a entender que o suicídio também pode ocorrer por possessão ou, no mínimo, por uma poderosa influencia do diabo sobre os filhos da desobediência.

Pode um cristão em plena comunhão com Deus cometer suicídio?

Não podemos também ignorar o fato de que não somos super-homens, super-mulheres ou super-crentes, e que precisamos de ajuda médica e de conselheiros cristãos profissionais em nossos momentos de angústias. Diz a Bíblia em Romanos 12:13, “Comunicai com os santos nas suas necessidades…”. O nosso cérebro recebe informações e o nosso comportamento é o resultado do que sentimos.

Não podemos, também, ignorar o fato de que Deus é poderoso. E, ainda que fragilizados, a ponto de percebermos o agir de Deus em nossas vidas, creio que o crente fiel ao Senhor e à  sua palavra, aquele cristão que não vive nas obras da carne, é sustentado em suas grandes adversidades, como aconteceu com o patriarca Jó. Deus não nos prova além de nossas forças! “ Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não deixara tentar acima do que possais suportar”. Veja também o que diz Tiago: “Ninguém sendo tentado, diga:  de Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1:13).  Encontramos na Bíblia várias pessoas que escreveram a respeito de sentimentos como a tristeza: “o meu espírito se vai consumindo, os meus dias se vão apagando, e só tenho perante mim a sepultura” (Jó 17:1).

Encontramos na Bíblia várias pessoas que escreveram a respeito de sentimentos como a tristeza: “O meu espírito se vai consumindo, os meus dias se vão apagando, e só tenho perante mim a sepultura” (Jó 17:1). O salmista disse: “Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando todo o dia” (Salmos 38:6). O próprio apóstolo Paulo, por várias vezes, relata como ele se sentia a respeito do seu sofrimento: “Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração” (Romanos 9:2). Jesus também falou a respeito de seus sentimentos: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo” (Mateus 26:38). O profeta Elias, em I Reis 19:4, fala de sua amargura e interesse pela morte: “Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais”. E  Jonas, o profeta de Deus, disse: “Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer  do que viver” (Jonas 4:3). É importante entendermos o quanto é diferente o sentimento desses homens piedosos das narrativas bíblicas do desejo específico que os suicidas sentem em tirar a própria vida.

Em outras palavras, uma coisa é, num momento extremo de angústia, como no caso do patriarca Jó, alguém desejar morrer. Outra coisa, totalmente diferente, é o impulso doentio de alguém que deseja matar-se. Veja que os heróis da fé sempre apelaram para que Deus, o doador da vida, lhes permitisse morrer, que o próprio Senhor interrompesse o fôlego de vida deles, pois somente assim poderiam estar com Ele: “O Senhor é o que tira e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela” (I Samuel 2:6).

O suicídio é obra do Diabo. Cristo veio para trazer vida, e vida em abundância, como nos testemunham as Escrituras Sagradas. E, partindo deste princípio, toda e qualquer atitude que infrinja a lei divina quanto a valorização da vida é condenável. O suicídio é um assunto extremamente delicado, cercado por tantos tabus que difícil e raramente encontramos alguém falando a respeito. Nunca levamos aos nossos púlpitos sermões tendo o suicídio como título e não conhecemos quase nenhuma literatura evangélica que fale sobre este tema tão polêmico.

Considerando os princípios Bíblicos

“Sabei que o Senhor é Deus; foi Ele, e não nós, que nos fez povo seu e ovelhas do seu pasto” (Salmos 100:3). Considerando que não somos de nós mesmos, mas de Deus, por termos sido criados por Ele, a iniciativa de uma pessoa de tirar a própria vida significa que ela está se colocando acima de Deus e agindo com autoridade maior que a do Senhor, o autor da vida.

O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus; destruir o próprio corpo é desonrar o Criador. Paulo disse: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (I Coríntios 6:19). Deus é o doador da vida, presente e futura. (Gênesis 1:26–27; Salmos 8:5; 24:1; João 1. 3;  3:16; 10:10;  11:25–26). É o Senhor que tem estabelecido as normas de conduta para a nossa vida presente e para toda a eternidade.

Nem mesmo o amor pela vida nem o desejo de suicídio devem ser colocados acima da vontade de Deus. Quando alguém age independentemente de Deus está se colocando no lugar dele.

Alguém pode perguntar: “O que acontece com aqueles que cometem suicídio?”. Ou, “Um suicida pode ser salvo?”. A resposta levará em consideração a Sagrada Escritura. A orientação bíblica é que aqueles que cometem o suicídio violam a sexto mandamento. As pessoas que dão fim a própria vida fazem isso por várias razões. Somente o Senhor Deus sabe a complexidade de pensamentos que passa na mente do indivíduo no momento do suicídio. Por isso, baseamos o nosso entendimento na Bíblia. Devemos considerar o texto de Êxodo 20:13, que diz: “Não matarás”. O suicídio nada mais é do que um auto-assassínio, atitude que contraria esse mandamento. Como cristãos, compreendemos que o suicida não pode ser salvo. “Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem” (Gênesis 9:5).

Uma experiência

“O Dr. Rus Walton, pesquisador cristão, não considera o suicídio como um problema de patologia. Ou seja, não se trata de um problema da mente, mas, sim, de enfermidade de alma”.

Partindo deste ponto e pensamento passarei aqui a relatar uma experiência deste tipo, quando em minha vida eu vivi e presenciei um ato ou tentativa de suicídio.

Quando acontece uma tentativa de suicídio, precisamos detectar o problema ou o fato que levou a pessoa a tomar esta atitude. Quando em minha família eu vivi este drama a pessoa se fechou no seu mundo pensando e dizendo que ninguém a amava. Ela começou a dizer que desejava morrer até que um dia o fato se consumou e, por duas vezes, tentou se matar tomando remédios em excesso, ficando hospitalizada, e provocando dor e sofrimento em toda a família, enquanto os médicos e psicólogos falavam e diagnosticavam  insanidade mental.

Eu como cristão acreditava que o problema era da alma e do espírito. E buscamos em Jesus a cura e a libertação, e por três meses vivi vendo a companheira jogada em uma cama sem forças para se libertar sem forças para se levantar , e é nestes momentos que nós encontramos o amigo fiel que é Jesus, pois foi nEle que encontrei forças para caminhar, enquanto muitos viravam as costas dizendo que tudo aquilo era  mentira e fazia aquilo para chamar a atenção, Jesus nos consolava, e depois de três meses tomando calmantes e remédios para depressão e para problemas mentais. Através de oração e da palavra de Deus consegui mostrar a ela que o mundo podia odiá-la mas que Jesus a amava, e Ele estava ao seu lado em todos os momentos.

Ela me perguntou como vou saber se isto que você está me falando é verdade e que se parasse com os remédios Jesus a libertaria. Perguntei a ela se tinha fé que se ela se levantasse daquela cama e abandonasse os remédios ficaria curada ela disse que sim e pediu para que eu lhe mostrasse na Bíblia e falei para ela Jeremias 33:3: Clama a Mim, e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que  não sabes. E a partir daí começou o processo de libertação, e Jesus operou grandemente libertando e curando as feridas tirando os sentimentos de inferioridade e hoje podemos glorificar ao Senhor pois eu e minha casa servimos ao Senhor.

Conclusão

Em nossos dias muitas pessoas se encontram nas mesmas situações  que vivi com minha esposa, e até mesmo dentro de nossas igrejas isto continua a acontecer, e muitas vezes estas pessoas não são ajudadas pelo líderes das igrejas, muitas ainda não conhecem a Jesus, e acabam por morrer vítimas de Satanás. Pois acredito que em 80% dos casos  de suicídio a enfermidade está na alma.

E nestes casos somente Jesus pode operar, mas para isto acontecer temos que anunciar a palavra de Deus.

Fonte: Pr. José Rabelo / Batista Shekinah de Borborema SP

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Published in: on julho 12, 2010 at 10:17  Comments (1)  

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  1. Sou estudante de Psicologia e semana passada pude acompanhar o caso de um rapaz de 25 anos que se enforcou em seu quarto enquanto seus pais viajavam. Soube que ele sofria de esquizofrenia e tomava remedios, mas tinha sua vida social ativa e não parecia que tinha tantos problemas. Sua mãe está sofrendo demais com o luto, acredito que ela está ficando perturbada demais com o fato, pois ela diz que o rapaz coloca a mão em suas costas toda vez que ela está na cozinha preparando a janta. Fui até a casa deles depois do acontecimento e pude sentir a energia negativa que esta na casa. Não acredito que espíritos de pessoas mortas possam estar entre nós, mas acredito em espíritos malignos, que levam pessoas a cometer suicidios. Como sou de uma familia cristã procuro sempre ter dois pontos de vista o religioso e o científico. E no caso desse rapaz, penso que o levou ao suicidio foi algo espiritual, ele dizia que havia um demônio que dormia debaixo da sua cama e que o perseguia algumas vezes.


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