As mulheres falam demais, os homens, de menos: verdade ou mito?

Falar pelos cotovelos e incomodar outras pessoas como verdadeiras matracas. Essa é uma das críticas frequentes sobre as mulheres. Os homens, por sua vez, parecem mais comedidos. Verdade ou mito?

Psicóloga e pastora, Nádia Valença acredita que as mulheres têm necessidade de falar mais pela maneira como são criadas, pela tendência de sentir emoções mais intensamente do que os homens e pelas diferenças biológicas no que tange à reação delas diante do estresse. Nádia acredita que é possível que as mulheres sejam mais vulneráveis à ansiedade e à depressão por tender a sentir afetividade negativa maior, ou seja, emoções negativas, como o medo, a ansiedade e a tristeza. E o falar muito pode ser a forma mais simples de se expor. Os homens parecem mais calados. Mas, na verdade, têm postura diferente, comparados a elas.

Em entrevista, a pastora comenta sobre a diferença de expressão entre os sexos e sua experiência no atendimento e aconselhamento no gabinete:

Por que os homens são mais calados do que elas?

Pra. Nádia: Os homens têm mais dificuldade em colocar seus sentimentos para fora. No gabinete pastoral geralmente são as mulheres que começam a falar dos problemas. Muitas vezes, nós, pastores, pedimos que o homem fale, que exponha seu ponto de vista sobre o problema e que a mulher não o interrompa.

Existe reclamação quanto à comunicação nos relacionamentos?

Pra. Nádia: Sempre, já que a mulher sente mais necessidade de falar do que o homem. Mas aconselhamos que ambos devem ter espaço para o diálogo, sem culpa ou crítica precipitada. As pessoas devem tentar entender o ponto de vista e a razão de suas atitudes. Lembrando sempre que podemos discordar de ideias sem rejeitar a pessoa que teve a ideia. A Bíblia é realista e fala dos problemas de comunicação como, por exemplo, de Adão e Eva, que discordaram quanto a quem pecou primeiro.

Qual tipo de reclamação a senhora mais ouve?

Pra. Nádia: Falta de habilidade para conversar: muitos não sabem compartilhar abertamente com outra pessoa. As pessoas têm dificuldade em achar as palavras certas para expressar suas ideias. Isso acontece entre cônjuges, filhos e colegas de trabalho. As reclamações são, ainda, sobre a incapacidade de abrir-se, medo de expressar o que pensam e sentem. Dificuldades em aceitar-se: não gostam de ser quem são. Atitude de não perdoar. Querem evitar situações de conflito, em que há risco de ser magoadas ou rejeitadas pelas outras pessoas. Muitas procuram ajuda pastoral para resolver essas dificuldades.

É necessário mudanças nos relacionamentos?

Pra. Nádia: Quando as pessoas vêm ao gabinete pastoral estão cientes que precisam de mudança, precisam quebrar barreiras, reeducar-se e reavaliar atitudes. Exige-se esforço e disposição. O Espírito Santo tem abençoado muitos casais, na área da confissão dos pecados, do perdão, do respeito, da valorização do outro, principalmente do amor incondicional, como Cristo nos amou e se deu por nós. O casamento é uma realidade de Deus. Ele mesmo disse: ‘Não é bom que o homem esteja só’. Somente Ele é capaz de solidificar e formar qualquer estrutura. A conquista da união de duas pessoas diferentes obtém-se à medida que os anos passam. Com o tempo notamos que um cônjuge vai ficando parecido com o outro. Assemelham-se, diariamente ao outro, tornando-se uma só carne.

A Bíblia diz

As palavras dos bons são uma fonte de vida, mas as palavras dos maus escondem a sua violência. Provérbios 10:11.

Quanto mais você fala, mais perto está de pecar; se você é sábio, controle sua língua. Provérbios 10:19.

Quem toma cuidado com o que diz está protegendo sua própria vida, mas quem fala demais destrói a si mesmo. Provérbios 13:3.

Versão: Nova Tradução da Linguagem de Hoje.

Depoimentos

“Não acredito que as mulheres falam demais ou de menos. Acredito que a mulher sempre soube se expressar melhor porque trabalha melhor essa habilidade. A mulher, por muito tempo e em várias culturas, não tinha oportunidade de se expressar. Hoje em dia praticamente não se vê mais a mulher impedida de falar e de se relacionar. Ela, com toda habilidade e jeito feminino, conquistou espaço, rompendo paradigmas, mostrou que não é um ser frágil. Ela tem voz ativa, sabe como ninguém contornar a situação com diálogo. Quanto aos homens, a questão não é que falam menos. Acredito que seja da natureza do homem ser mais observador, mais contido nas palavras. Só que eles também fofocam, conversam pelos cotovelos, opinam e dão chilique quando não são ouvidos. A diferença é que a fala deles está mais associada à expressão, tipo caras e bocas.”
Anne Caroline da Silva, assistente, 28, solteira.

“A comunicação é a base de todo relacionamento. Nós, mulheres, precisamos nos expressar pelo diálogo. O homem é mais cauteloso ao expressar seus sentimentos e emoções. Mas quando eles têm alguém em que podem confiar, se expressam, não na mesma intensidade que nós mulheres, mas se expressam bem. Não existe homem calado. Existe homem que precisa ter mais confiança para externar seus pensamentos sem preocupar-se tanto. As mulheres não atentam para o que e quanto falam. Sou muito comunicativa, mas tenho procurado ser um pouco menos. Gosto de conversar, mas estou passando por algumas dificuldades, por isso preciso mudar. Falar demais, para as mulheres, é tornar-se chatas e inconvenientes. Para os homens, é ser uma companhia não tão agradável, criando dificuldade em relacionar-se.”
Elizabete Felix Nogueira, assistente técnica, estudante de Psicologia, 34 anos, solteira.

“Falo pouco. Mas depois que conheço a pessoa sou bem comunicativo. Mas não passo do moderado. As mulheres falam muito porque são mais observadoras, mais detalhistas. Acho que elas transferem para a conversa essa riqueza de detalhes. Os homens, por serem mais racionais e objetivos, são mais curtos nas conversas. Por bastante tempo eu fui muito calado. Acho ruim, porque o homem calado, muitas vez, não se impõe. Guarda tudo e acaba perdendo oportunidades boas e sofre com isso. Falar ajuda a demonstrar presença. Já vivi conflito em um relacionamento por falar pouco. Resolvi o problema dando mais atenção ao que o outro fala. Não apenas escutando passivamente. Mas demonstrando interesse no que está sendo falado. Isso valoriza a pessoa. É questão de treino. Nossa tendência natural é sempre ouvir só o que nos interessa. O diálogo é a base para a construção do relacionamento. Falar demais pode inibir o outro de dar opinião. Mas quando isso é bem utilizado, pode abrir caminho para uma intimidade em que ninguém esconde nada de ninguém. E não falar nada também pode ser demonstração de que você não se importa, e isso pode ser negativo.”
Rodrigo de Lira Varela Rodrigues, assistente administrativo, estudante de Administração, 23 anos, solteiro.

“Não podemos generalizar, pois nem todas falam muito. Mas, na maioria das vezes, falam muito porque pensam muito, ou seja, geralmente tentam minimizar suas dúvidas e esclarecer questionamentos ao máximo. A mulher também tem a habilidade de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Assim, é capaz de falar e ouvir ao mesmo tempo. É da natureza da mulher ser mais detalhista, necessitando do maior número possível de informações para sentir-se satisfeita. Existem homens que falam até demais, depende muito de sua personalidade. Agora esse ‘falar menos’ em alguns casos, é por ser mais racionais, procurando solucionar os questionamentos de forma objetiva e direta. Para os homens é mais difícil conseguir fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Ou eles falam ou ouvem. Normalmente eles ouvem pouco, ou apenas o que é de seu interesse. Por ser mais racional, o homem se contenta apenas com informações que lhe sejam necessárias. Ele não atenta para os detalhes. Os homens calados o são por natureza, o que não os impede de ser bons ouvintes e pessoas muito compreensivas. Mas há os calados por medo de demonstrar o que realmente são ou pensam.”
Ana Flávia A. Sousa, contabilista, 37, separada.

Opinião

A mulher fala demais, o homem fala de menos

Inicialmente seria interessante refletir sobre os padrões que a sociedade brasileira nos impõe quanto ao que seria falar muito ou pouco.

Estudo realizado nos Estados Unidos afirmou que a mulher fala 20 mil palavras por dia, enquanto o homem só fala 7 mil. Outro estudo disse que as mulheres pronunciam por volta de 16.215 palavras por dia e os homens 15.669. Ou seja, uma diferença de 546 palavras.

Seria relativo explicar o motivo que leva as mulheres a falar muito. Até porque não são todas as mulheres. Talvez muitas de nós falemos demais da conta, mas isso não dá o direito de generalizar tal comportamento.

Os homens apresentam, por diversas vezes, essa característica de falar menos devido à praticidade com que resolvem situações do cotidiano. E qual é a mulher que gosta de ser tão prática no quesito diálogo? A mulher se comporta de forma a valorizar detalhes, é minuciosa naquilo que descreve e convincente sobre o que acredita. Portanto, tal questionamento parece estar voltado para o valor que a mulher dá à fala, talvez soando como esse oposto entre mulheres e homens.

Sobre ser cultural tal comportamento, não precisamos ir muito longe ao lembrar que existem países em que mulheres não têm tanta liberdade de expressar o que pensam e sentem. Sobre ser emocional ou biológico, acredito ser um comportamento aprendido. Pois em contextos onde, por exemplo, os pais são tímidos, reservados e não se expressam, pode ser um grande diferencial para o desenvolvimento da criança.

Já em um relacionamento amoroso, penso que o conflito ocorra a partir da valorização que um dá à fala do outro, não respeitando muitas vezes a forma como cada um se coloca. Muitas vezes, não é o momento de se discutir nada e insistentemente parecem querer discutir. Por conta disso, muitas coisas são ditas e quase sempre elas são desnecessárias. Talvez seja esse o motivo pelo qual os homens reclamam tanto das mulheres. O tão conhecido termo DR (discussão de relacionamento) é mais um exemplo da insistência das mulheres em sempre querer falar sobre algo que aconteceu no dia a dia e que as deixou insatisfeitas.

As consequências positivas de falar muito apareceriam no direito que todos temos de expressar o que pensamos e sentimos, até porque é um evento privado, a que o outro só tem acesso se quisermos que ele tenha. Já as consequências negativas estariam relacionadas à inadequação de nossa fala, ao não discernirmos o que de fato é necessário ser dito ou não.

Fonte: IBCB

Published in: on junho 30, 2010 at 10:04  Comments (1)  

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One CommentDeixe um comentário

  1. Belo blog sobre psicologia!

    Frequentarei aqui mais vezes!

    Esse post realmente tem a ver com o que eu procuro sobre psicologia!

    se quiser que eu publique algo de sua autoria, é só falar que eu coloco no meu blog com sua identificação e endereço do blog!

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