E-mail encaminhado ao Apóstolo Paulo

Amado apóstolo:

Estou escrevendo para colocá-lo a par da situação do Evangelho que um dia você ajudou a propagar para nós gentios, e que lhe custou a própria vida. As coisas estão muito difíceis por aqui. Quase tudo o que você escreveu foi esquecido ou deturpado.

Você foi bastante claro ao despedir-se dos irmãos em Éfeso, alertando que depois de sua partida lobos vorazes penetrariam em meio à igreja, e não poupariam o rebanho (Atos 20:23). Palavras de fato inspiradas, pois isso se concretiza a cada dia.

Lembra-se de que você escreveu ao jovem Timóteo, que o amor ao dinheiro era a “raiz de todos os males” em I Timóteo 6:10? Quero que saiba que suas palavras foram invertidas e agora se prega que o dinheiro é a “solução” de todos os males.

Também é com tristeza que lhe digo que em nossa época ninguém mais quer ser chamado de pastor, missionário ou evangelista, pois isso é por demais humilde: um bom número almeja levar o título de apóstolo. Sei que em seu tempo, os apóstolos eram “fracos… desprezíveis… espetáculo para os homens… loucos… sem morada certa… injuriados… lixo e escória” (I Coríntios 4:9-13). Agora é bem diferente. Trata-se de uma honraria muito grande: cercam-se de serviçais que lhes admiram, quando viajam exigem as melhores hospedarias e são recebidos nos palácios pelos governantes.

Eles não costumam pregar seus textos, pois você fala muito da “Graça” e da “liberdade que temos em Cristo” (Gálatas 2:4). Isso não soa bem hoje, pois a Igreja voltou à “teologia da retribuição” da Antiga Aliança (só recebe quem merece), e liberdade é a última coisa que os pastores querem pregar às suas ovelhas.

Você não é bem visto por aqui, pois sempre foi muito humano, sem jamais esconder suas fraquezas: chegou até a reconhecer contradições internas, dizendo que não faz o bem que prefere, mas o mal, esse faz (Romanos 7:19). Eles não gostam disso, pois sempre se apresentam inabaláveis e sem espinhos na carne como você. A presença deles é forte, a sua fraca (II Coríntios 10:10 ), eles são saudáveis, você sofria de alguma coisa nos olhos (Gálatas 4:13-15), eles jamais recomendariam a um irmão tomar remédio, como você fez com Timóteo (I Timóteo 5:23), mas aqui eles oram e determinam a cura – coisa que você nunca fez.

Você dizia que por amor de Cristo perdeu “todas as cousas” considerando-as resto (Filipenses 3:8). As coisas mudaram, irmão. Agora cantamos: “Restitui, quero de volta o que é meu!”.

Vivo em uma cidade que recebeu o seu nome e aqui há um apóstolo que após as pregações distribui lencinhos vermelhos encharcados de suor, e as pessoas levam pra casa, como fizeram em Éfeso, imaginando que afastarão enfermidades (Atos 19:12). Sim, eu sei que você nunca ordenou isso, nem colocou como doutrina para a igreja nas epístolas, mas sabe como é o povo…

Admiro sua coragem por ter expulsado um “espírito adivinhador” daquela jovem (Atos 17:18), embora isso tenha lhe custado a prisão e açoites. Você não se deixou enganar só porque ela acertava o prognóstico. Hoje há uma abundância excessiva de videntes e previsões no meio do povo de Deus, todavia esses espíritos não são mais expulsos, ao contrário, nos reunimos ansiosos para ouvir o que eles têm a dizer para nós.

Gostaria de ter conhecido os irmãos bereanos que você elogiou. Infelizmente quase não existem mais igrejas como as de Beréia que recebiam a palavra com avidez e examinavam as Escrituras “todos os dias para ver se as coisas são de fato assim” (Atos 17:11).

Tem hora que a gente desanima e se sente fragilizado como Timóteo, o seu companheiro de lutas. Mas que coisa bonita foi quando você o reanimou insistindo para que reavivasse “o dom de Deus” que havia nele (II Timóteo 1:6). Estou lhe confessando isso, pois atualmente 90% dos pregadores oferecem uma “nova unção” para quem fraqueja. Amo esta sua exortação, pois você ensina que dentro de nós já existe o poder do Espírito, dado de uma vez por todas, e não precisamos buscar nada fora ou nada novo!

Nossos cultos não são mais como os da sua época onde a igreja se reunia na casa de um irmão, havia comunhão, orações, e a Palavra explanada era o prato principal… as coisas mudaram: culto agora é como fosse um show, a fumaça não é mais da nuvem gloriosa da presença de Deus, mas do gelo seco, e a Palavra é só para ensinar como conseguir mais coisas do céu.

O Espírito lhe revelou que nos últimos tempos alguns apostatariam da fé “por obedecerem a espíritos enganadores” (I Timóteo 4:1). Essa profecia já está se cumprindo cabalmente e creio que de forma irreversível.

Amado apóstolo, sinto ter lhe incomodado em seu merecido descanso eternal, mas eu precisava desabafar. Um dia estaremos todos juntos reunidos com a verdadeira Igreja de Cristo.

Maranata!

Fonte: Pastor Daniel Rocha

Quem sabe um dia o Apóstolo Paulo tome conhecimento destas palavras, né? Porque Jesus Cristo, tenho certeza, já sabe!

Published in: on maio 25, 2010 at 11:18  Deixe um comentário  

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