Procuradora de Justiça aposentada é acusada de agredir filha adotiva de 2 anos

RIO – A procuradora aposentada Vera Lúcia Gomes é acusada de agredir a filha adotiva de dois anos. A criança foi retirada no dia 15 pelo Conselho Tutelar do apartamento em que vivia há pouco mais de um mês com a mãe em Ipanema, na Zona Sul do Rio. A polícia abriu um inquérito para investigar o caso e começou a ouvir as testemunhas nesta segunda-feira.

O Conselho Tutelar recebeu a denúncia em um telefonema anônimo. Segundo um conselheiro, a criança estava no chão do terraço onde fica o cachorro da procuradora aposentada. Ela foi levada para o Hospital Miguel Couto, na Gávea, com os olhos inchados e precisou passar três dias internada.

O Conselho Tutelar registrou uma queixa de maus tratos e acusou a procuradora de responsável pela violência. Uma gravação que teria sido feita dentro do apartamento mostra um dos momentos de agressão. A voz seria da procuradora, e o choro, da menina adotada por ela há pouco mais de um mês.

Uma empregada que trabalhou para a procuradora e que não quis se identificar confirmou as agressões:

– A doutora Vera acordava com a garota. Dava bom dia e ela não respondia, era motivo pra bater nela. Aí, batia muito. Batia no rosto, na cara e puxava o cabelo.

A criança havia sido abandonada pela mãe num abrigo e foi levada em março para o apartamento de luxo da promotora. Segundo outra empregada, a procuradora batia na criança na frente dos outros funcionários da casa.

– Ela levantou a garota pelo cabelo e dava mais, levou até o quarto dando tapa – afirmou uma babá que também trabalhava para a promotora.

Por causa da violência que dizem ter presenciado, as funcionárias abandonaram o emprego. Agora elas são as principais testemunhas do caso. A empregada contou que a menina não pedia ajuda:

– Não pedia. Só chorava. Não tinha como pedir, porque ela não podia chegar perto da gente – disse a empregada, que acrescentou que não chamou a polícia por medo: – Ela sendo uma pessoa poderosa, a gente tinha medo mesmo.

Ao falar pelo interfone com a equipe de reportagem da TV Globo, a procuradora desqualificou a denúncia:

– Meu senhor, dane-se! Azar, azar. Que tenha vinte.

O procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes, também determinou a apuração da denúncia.

– Em tese, você pode ter a caracterização de delito de maus tratos, pode ter uma simples lesão corporal, ou, dependendo das provas, pode até se caracterizar um delito de tortura – disse.

A juíza titular da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, Ivone Caetano, afirmou que a procuradora perdeu o direito de tentar novas adoções.

– Ela já mostrou o perfil dela. Por que nós vamos colocar outra criança a mercê de uma criatura dessa natureza?

Após deixar o hospital, a criança foi levada de volta para o abrigou pelo Conselho Tutelar.

– É feito um trabalho psicológico antes de se colocá-la para nova adoção, para que ela perca todo o trauma recebido por tal tratamento – explicou a juíza.

Fonte: O Globo / TV Globo

Published in: on abril 27, 2010 at 10:20  Deixe um comentário  

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