Igreja cogita expulsão de padres acusados de pedofilia em AL

Os padres Luiz Marques, Raimundo Gomes e Edilson Duarte poderão sofrer a pena máxima da Santa Sé dada a religiosos, caso seja comprovado que eles cometeram crime de abuso sexual contra menores. Conforme o instrutor investigador do caso na Diocese de Penedo, padre Daniel do Nascimento, eles poderão receber demissão do estado clerical. Os acusados foram afastados das funções clericais, e por isso, Luiz Marques e Raimundo Gomes perderam também o título de monsenhor.

“Existe a possibilidade de eles perderem, de forma permanente, todas as ordens, e assim não poderem mais ministrar eucaristia, celebrar missas e fazer confissões, casos os crimes relacionados à pedofilia sejam comprovados. Nesse caso, a punição vem da Santa Sé, no Vaticano, não é uma decisão da diocese”, disse padre Daniel. Ele explica que mesmo nesse caso, eles não perdem a condição de cristãos católicos, e poderão participar como leigos de ritos religiosos.

Continua preso

Luiz Marques Barbosa continua preso em Arapiraca. Ele recebeu voz de prisão no último domingo, logo após prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia do Senado Federal, naquele cidade. Acusado de crime de pedofilia, ele teve contra si, além de imagens divulgadas que flagram o religioso praticando sexo com um ex-coroinha, mais provas do delito encontradas pela Polícia Civil em sua residência, como passagem de avião, bebidas alcoólicas e cremes corporais íntimos.

Foram presos, ainda, o motorista José Reinaldo e a assistente pessoal do monsenhor, Maria Isabel, acusados de terem cometido falso testemunho, ao mentirem durante o depoimento. José Raimundo foi conduzido para a Central de Polícia e Maria Isabel para a Delegacia da Mulher.

A advogada de Luiz Marques tentou contestar a decisão e solicitar uma prisão domiciliar, alegando que o acusado é idoso e não representa perigo à sociedade. No entanto, por determinação judicial, o monsenhor está na sede do 3º Batalhão da Polícia Militar, em Arapiraca.

Choro, acareações e discussões

“Em nome de Deus, vamos reabrir os trabalhos da CPI da Pedofilia”. Foi dessa forma que o senador Magno Malta, presidente da CPI da Pedolifia, abriu os trabalhos da Comissão, na manhã deste domingo (18), no fórum estadual do município de Arapiraca. Hoje estão previstos os depoimentos de Luiz Marques Barbosa e Raimundo Gomes e do padre Benedikt Lennartz, pároco da cidade de Craíbas. Ontem (17), o religioso Edílson Duarte confessou que mantinha relações sexuais com ex-coroinhas e que dava a eles dinheiro do dízimo da Igreja Católica.

Para acompanhar os depoimentos no domingo, o auditório do fórum ficou lotado. Todos os 200 assentos estavam ocupados e havia muita gente em pé ou sentada nos corredores. “Eu sempre ia às missas do mosenhor Luís Marques, com minha esposa e as minhas três filhas. Gostava das pregações dele, eram palavras muito bonitas. Além do que, o monsenhor defendia os bons costumes e era muito conservador, ninguém podia freqüentar suas celebrações com roupas decotadas e curtas. Assim que eu soube do escândalo, custei a acreditar e realmente só tive essa certeza quando o padre Edílson confessou tudo ontem. Por isso, decidi vir hoje ao fórum para ouvir do mosenhor o que ele tem a dizer. Como arapiraquense e cidadão, estou em choque e decepcionado. Queremos que a polícia e a Justiça punam essas pessoas”, disse o empresário Liberto Firmino de Oliveira, acrescentando que não se afastaia da Igreja por causa do escândalo de pedofilia envolvendo ex-coroinhas e sacerdotes de Arapiraca.

Também estavam no auditório os advogados dos religiosos, a delegada Bárbara Arraes e o Ministério Público.

Antes mesmo de começarem os depoimentos, o advogado dos monsenhores pediu para que Luiz Marques Barbosa e Raimundo Gomes fossem ouvidos reservadamente, sem as presenças da população e da imprensa. Entretanto, o pedido foi indeferido pelo presidente da CPI. “Os ex-coroinhas estavam protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê a preservação deles nos crimes dos quais eles foram vítimas. Entretanto, os três se expuseram, por isso, não vamos autorizar que os religiosos tenham essa proteção”, respondeu Magno Malta, determinando que Raimundo Gomes começasse a depor.

Não ao sentimento de pena

Magno Malta também fez duras críticas aos sacerdotes arapiraquenses. “Os padres também são seres humanos, portanto, passíveis de erros. Mas, nós repudiamos o que eles fizeram e não dá para ter sentimento pena de quem roubou a infância de crianças. Sei que não posso pedir a vocês que deixem de amá-los, afinal, foram anos de convivência e admiração. Todavia, também sei que é muito difícil continuar amando alguém que abusa de crianças e de adolescentes. Não podemos tolerar aqueles que, para satisfazer as suas taras, atreveram-se a dar fim à infância de pessoas inocentes”, condenou o senador.

Depoimento de sábado

Após ter sido pressionado pelo senador Magno Malta, que presidente a CPI da Pedofilia, o padre Edilson Duarte, da Paróquia Bom Conselho, confessou, durante audiência realizada na manhã do sábado (17/04), em Arapiraca, que praticou sexo com dois dos três coroinhas envolvidos na acusação contra os religiosos. O padre também admitiu que é homossexual e que os monsenhores e o bispo de Penedo possuíam ‘apelidos’ comprometedores.

Para conseguir a confissão, o senador ofereceu o benefício de delação premiada e fez uma acareação entre o padre e os coroinhas C.F.B, F.S.F e A.F.S, que já haviam prestado depoimento na última sexta-feira (16). No início, Edílson Duarte quis negar, mas depois, acabou revelando detalhes sobre os fatos acontecidos.

A confissão do padre ocorreu depois que Malta afirmou que tinha vídeos e provas contra o pároco e ressaltar que qualquer mentira proferida em audiência acarretaria em sua prisão. Diante disso, o religioso admitiu o crime, informando que teria feito sexo com C.F.B e F.S.F. Entre as declarações, o padre também confirmou que Dom Valério Breda, de Penedo, Luiz Marcio e monsenhor Raimundo Gomes tinham apelidos comprometedores.

O depoimento foi suspenso por 40 minutos, para uma discussão a portas fechadas entre membros da CPI da Pedofilia, Ministério Público e o advogado do padre, Wellington Wanderley. Quando do retorno da audiência, o padre decidiu aceitar a delação premiada e contou ainda mais detalhes a respeito de quem praticava os crimes de pedofilia. Após ouvir o sacerdote, a CPI decidiu convidar Dom Valério Brêda a prestar depoimento.

Religioso mantinha casa para encontros sexuais

E também no sábado (17/04), o ex-coroinha Fabiano Ferreira acusou Luiz Marques Barbosa de manter uma casa no balneário da Barra de Santo Antônio, a 47 quilômetros de Maceió, para encontros sexuais com jovens e adolescentes que trabalham para a Igreja Católica na região de Arapiraca.
Este fato foi considerado surpresa para os integrantes da CPI da Pedofilia e comprometeram ainda mais o religioso.

Fabiano foi o responsável pela filmagem do vídeo onde Luiz Marques aparece em ato sexual com o ex-coroinha Flávio Silva.

As denúncias

O suposto escândalo envolvendo Luiz Marques Barbosa e Raimundo Gomes e o padre Edílson Buarque, que foram acusados de abusar sexualmente de ex-coroinhas quando estes ainda eram crianças, veio à tona após a divulgação de um vídeo, gravado por uma das vítimas e divulgado num programa de rede nacional.

As imagens mostram um dos ex-coroinhas, Fabiano Ferreira, de 20 anos, mantendo relações sexuais com Luiz Marques Barbosa. Na reportagem, o adolescente alega que era abusado desde os 9 anos.

Cícero Flávio, 22 anos, é outro ex-coroinha que também denunciou os religiosos.

E o vídeo também afirma que a casa do monsenhor foi construída com recursos da comunidade católica de Arapiraca.

O advogado dos padres, Daniel Fernandes, garante que seus clientes foram vítimas de chantagem e extorsão por parte dos ex-coroinhas.

Religiosos foram afastados

Depois do escândalo, que abalou a comunidade católica alagoana e inclusive provocou a reação do Vaticano, a CPI da Pedofilia veio a Alagoas para ouvir as vítimas e os acusados.

Os três sacerdotes envolvidos no escândalo foram afastados das atividades eclesiásticas na região, por determinação do bispo de Penedo, Dom Valério Brêda, no último dia 13. Naquela data, o sacerdote, que é o responsável pela Diocese de Arapiraca, leu uma carta durante a missa do sábado, na igreja Nossa Senhora do Carmo, determinando a suspensão dos párocos.

Fonte: Gazeta Web

Published in: on abril 20, 2010 at 11:33  Deixe um comentário  

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