Presidente da Polônia foi ator mirim ao lado de irmão gêmeo

Moscou – O piloto do avião que caiu neste sábado, matando o presidente polonês, Lech Kaczynski, ignorou inúmeras ordens do tráfego aéreo russo, para que não pousasse naquele aeroporto, segundo declaração de um militar russo.

Kaczynski, sua esposa e, pelo menos, outros 95 passageiros morreram quando o Tupolev Tu-154 em que eles viajavam caiu em uma floresta, quando tentava aterrissar perto da cidade russa de Smolensk.

“O controlador de vôo russo confirmou que o piloto aumentou a velocidade de descida a uma distância de 2,5 Km”, disse o subcomandante da Força Aérea russa, Alexander Alyoshin, segundo a agência de notícias Interfax.

“O chefe do controle de tráfego aéreo ordenou que a tripulação colocasse a aeronave na posição horizontal diversas vezes, quando eles não obedeceram, mandou que eles seguissem até um aeroporto alternativo”, disse ele.

“Apesar disso, a tripulação continuou com os procedimentos de pouso. Infelizmente, isso acabou em tragédia”, disse.

Kaczynski, um crítico de Moscou e também conhecido por sua intransigência, estava a caminho de Katyn, na Rússia para homenagear os 22.000 poloneses prisioneiros de guerra que foram mortos pela polícia secreta soviética em 1940.

Em 2008, quando a Geórgia e a Rússia entraram em guerra, Kaczynski estava a caminho de Tbilisi para apoiar o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, no que ele dizia ser uma luta contra o “novo Imperialismo” do Kremlin.

A torre de controle disse ao piloto do avião de Kaczynski para voltar, porque era muito perigoso aterrissar em Tbilisi, mas o presidente – que também é o chefe do Estado de Maior – de acordo com a lei polonesa – mandou que o piloto aterrissasse, mesmo assim.

Brasília – O governo brasileiro decretou luto oficial de três dias pelo falecimento do presidente da Polônia, Lech Kaczynski. Segundo informações da BBC Brasil, havia quase 100 pessoas a bordo e não houve sobreviventes.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem de condolências ao primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, e ao presidente interino, Bronislaw Komorowski.

“Recebi, com profunda consternação, a notícia do trágico acidente aéreo que vitimou o presidente Lech Kaczynski, sua esposa e grande número de autoridades polonesas. Em nome do povo e do governo brasileiros, e em meu próprio, transmito a Vossa Excelência e ao povo polonês as mais sinceras e fraternas condolências. Neste momento de dor e de perda, esteja seguro de poder contar com a plena solidariedade do Brasil e com os laços históricos de amizade que unem brasileiros e poloneses. Aproveito a ocasião para reiterar a Vossa Excelência meus votos de mais alta estima e consideração”, diz a mensagem.

O ministro Celso Amorim também enviou mensagem ao ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, lamentando as mortes e pedindo que sejam transmitidos aos familiares das vítimas as condolências e a solidariedade de todo o povo brasileiro.

De acordo com a BBC Brasil, o avião – um Tupolev-154 – viajava de Varsóvia para a cidade russa de Smolensk, onde as autoridades polonesas participariam de uma cerimônia para lembrar os 70 anos do massacre de mais de 20 mil prisioneiros de guerra por forças russas na floresta de Katyn durante a Segunda Guerra Mundial.

O acidente ocorreu no momento em que a aeronave tentava pousar em meio à névoa densa, pouco antes das 11h de Moscou (4h em Brasília).

O presidente da Polônia Lech Kaczynski, que morreu neste sábado em um acidente de avião, já havia atuado em um filme ao lado de seu irmão gêmeo quando eram crianças.

No vídeo abaixo, os dois aparecem em uma cena do filme “The Two Who Stole the Moon”, de 1962.

Conheça a biografia do presidente polonês:

Lech Kaczynski, 60, eleito presidente da Polônia em outubro de 2005 e morto neste sábado (10), num acidente de avião em Smolensk (Rússia), era um jurista conservador e profundamente católico, procedente do movimento anticomunista Solidariedade de Lech Walesa.

Junto ao irmão gêmeo, o ex-primeiro-ministro polonês Jaroslaw Kaczynski, entrou no final dos anos 1970 na oposição anticomunista e, em 2001, fundaram juntos o partido Direito e Justiça.

De julho de 2006 a novembro de 2007, os dois irmãos governaram juntos a Polônia – Lech como presidente e Jaroslaw como chefe de Governo.

Sucessor do social-democrata Aleksander Kwasniewski, Lech Kaczynski defendia a reconciliação com a Alemanha e a Rússia, ao mesmo tempo em que explorava o temor ainda sentido por alguns populares pelos dois grandes vizinhos.

Também defendia uma profunda reforma da Polônia com base “na justiça, na solidariedade e na honra”.

Depois de sua vitória em 2005, Lech Kaczynski explicou que seu irmão, 45 minutos mais velho, “sempre o incentivou a ir adiante”.

Para não colocar empecilhos no objetivo de Lech de ser presidente, Jaroslaw havia renunciado em 2005 ao cargo de primeiro-ministro, embora tenha conservado o muito influente posto de presidente de seu partido.

Lech e Jaroslaw começaram a se destacar no país aos 12 anos, quando atuaram num filme para crianças.

Seu compromisso contra o comunismo, então no poder, valeu a Lech ser confinado junto com outros milhares de militantes do Solidariedade, durante a instauração da lei marcial, em 13 de dezembro de 1981.

Liberado ao final de 11 meses, tornou-se, com o irmão, um colaborador do líder histórico do primeiro sindicato livre do mundo comunista, Lech Walesa, de quem acabou se distanciando nos anos 1990.

Lech era casado, tinha uma filha e um neto. Jaroslaw é solteiro e vive com a mãe.

Partidário do intervencionismo econômico, transmitia a imagem de político experiente e honesto, fama que forjou ocupando os cargos de presidente do Tribunal de Contas, ministro da Justiça e prefeito de Varsóvia.

Como ministro da Justiça trabalhou contra o crime organizado e promoveu um sistema jurídico rigoroso e repressivo. “Sou e serei partidário da pena de morte”, afirmava abertamente.

Fiel a suas convicções conservadoras, proibiu várias manifestações de homossexuais em Varsóvia.

Fonte: Reuters, Agência Brasil, BBC Brasil, Folha Online, France Presse e YouTube (com modificações)

Published in: on abril 10, 2010 at 19:56  Deixe um comentário  

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