A entrevista de Fátima Bernardes no Morro do Bumba

A apresentadora do Jornal Nacional foi até o local da tragédia em Niterói e registrou as impressões, as lágrimas, a dor e a solidariedade dos moradores.

Confira e entrevista de Laura Beatriz:

Bonner: Fátima, como é que você classificaria a situação que você encontrou aí quando chegou?

Fátima: Numa palavra só, terrível. Logo que nós chegamos aqui, eu e o repórter cinematográfico Marco Aurélio caminhamos na região, ouvimos os moradores, vimos o esforço, o cansaço de muitas pessoas envolvidas nas buscas: voluntários e também equipe de resgate. E a gente vai ver agora algumas das impressões que nós tivemos no encontro com essas pessoas.

Na noite de quarta-feira, quando eu voltava para casa, eu ouvi pelo rádio a notícia de um novo desmoronamento em Niterói, dessa vez no Morro do Bumba. Já em casa, as primeiras imagens na TV mostravam o tamanho da tragédia.

Ao chegar ao local, um novo impacto. A área destruída é muito maior do que eu podia imaginar, do que qualquer um pode imaginar. O lixo formou uma montanha, soterrou tudo o que havia na beirada da rua e fica difícil a gente ter ideia de que na quarta, às 17h, havia exatamente na montanha de lixo, 50 casas, uma igreja, uma pizzaria, duas ruas, pessoas que moravam no local.

“A casa do meu avô era a primeira casa, com a casa da minha prima do lado, das minhas tias. A casa da minha irmã atrás e, em seguida a casa do meu pai. Meu tio ouviu o barulho da água descendo, ele veio para o quintal e começou a chamar o resto da família. Graças a Deus o meu tio conseguiu salvar bastante gente”, contou Simone Oliveira.

Em cada máquina, além do piloto, um ou dois bombeiros à procura de corpos. Mas sobrou muito pouco. Sobraram lixo, a chuva que voltou com força, o olhar incrédulo de quem passou a vida na área e também a solidariedade.

A ajuda para a comunidade chegou à região. “Nós estamos trazendo alimentos para eles comerem, bombeiro, Defesa Civil. Estou recolhendo isso tudo na minha comunidade, o Morro do Casco”, disse uma senhora.

Fátima: Você consegue dizer o que você está sentindo ao separar essas roupas, porque você está chorando?

Graciele dos Santos (moradora): Medo. Não tenho condições de sair daqui.

“A Defesa Civil condenou a minha casa. Não posso nem entrar na minha casa. Todos nós estamos abrigados aqui”, disse, chorando, a moradora Marizete Souza Santos.

Pessoas aguardam por notícias de parentes na rua, ao lado de uma barraca da Defesa Civil. “Eu fiquei até 6h da manhã cavando. Achei uma vizinha abraçada a um garotinho. Depois não agüentei mais”, contou Julio Cesar Carvalho, parente de vítimas.

“Minha mãe nasceu aqui, morava aqui”, disse, aos prantos, uma moça.

JN Memória: relembre outras tragédias naturais pelo Brasil

Em novembro de 2008, inundações e deslizamentos provocaram o pior desastre climático da história de Santa Catarina. Morreram 135 pessoas no Vale do Itajaí.

A cidade mais atingida foi Ilhota, onde a queda sucessiva das encostas do Morro do Baú soterrou famílias inteiras.

No Réveillon de 2010, tragédias parecidas em dois pontos do município de Angra dos Reis. Na área central, toneladas de pedra e lama desceram do Morro da Carioca.

E, na Enseada do Bananal, na Ilha Grande, a encosta veio abaixo, soterrou casas e parte de uma pousada. Ao todo, foram 54 mortos.

Fonte: G1

Published in: on abril 9, 2010 at 23:54  Deixe um comentário  

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